Níveis de Exigência LZR

Versão 1.0 — 2026-06-20. Define quanto de cada manual se aplica a cada projeto.

O que este arquivo responde: nem todo projeto LZR carrega o mesmo peso. Um protótipo de fim de semana não precisa do rigor de um produto que guarda dinheiro e dado de cliente. Aqui ficam os três níveis e a régua de qual nível vale pra cada projeto.

Regra de ouro deste acervo: este arquivo classifica as regras por nível — não as copia. Cada regra continua morando no seu manual (código, testes, design); aqui só se diz quando ela passa a ser obrigatória. As células abaixo nomeiam o bloco e apontam para o manual; quem muda a regra muda lá, não aqui.


Por que existe

Sem níveis, só há dois caminhos ruins: ou se aplica o rigor de produto crítico a tudo — e o protótipo trava sob peso que não precisa — ou se afrouxa para o protótipo e o produto crítico nasce sem a proteção que exige. O nível é o botão que ajusta o rigor sem abrir mão do piso. Ele decide o que é obrigatório agora; não decide o que é certo (isso é dos manuais).


Os três níveis (acumulativos)

Nível Para que tipo de projeto Exemplos
Essencial Protótipo, uso interno, projeto pessoal, site simples sem login nem dado de cliente. É o piso de qualidade e segurança que nunca se abre mão. Página de campanha, ferramenta interna descartável, experimento de fim de semana
Produto Vai pra mão do cliente: produção, usuários reais, dado de cliente em jogo. A maioria dos apps LZR. A maior parte dos produtos da casa em operação
Crítico Guarda dinheiro, guarda dado pessoal sensível (saúde, jurídico, licitação), separa vários clientes no mesmo sistema, ou tem inteligência artificial decidindo algo que afeta o usuário. Produtos com cobrança, dados clínicos ou multi-cliente no núcleo

Acumulativo: cada nível inclui tudo do anterior e acrescenta. Crítico = Produto + os itens críticos. Produto = Essencial + os itens de produto. Por cima de tudo, certas características ligam blocos de regra sozinhas, em qualquer nível — ver "Gatilhos".


Como o projeto declara seu nível

  • Uma linha no atalho do projeto (o arquivo de instruções na raiz): "Nível de exigência: Produto".
  • O agente lê na abertura da sessão e aplica o nível ao decidir o que é obrigatório.
  • Sem a linha: na abertura, antes de codar, o agente roda a régua de desempate e percorre os gatilhos com o coder (tem dinheiro? multi-cliente? inteligência artificial? dado sensível? recebe arquivo? expõe porta de entrada a terceiros?). Só então fixa o nível. Enquanto não confirmado, trabalha no piso de Produto — nunca Essencial. Nenhum gatilho passa sem resposta.

Régua de desempate — qual é o nível do meu projeto

Responda na ordem; o primeiro "sim" fixa o nível:

  1. Guarda dinheiro, guarda dado pessoal sensível (saúde, jurídico, licitação), separa vários clientes no mesmo sistema, ou a inteligência artificial decide algo que afeta o usuário?Crítico.
  2. Vai pra produção, com usuários reais e dado de cliente?Produto.
  3. Protótipo, uso interno, pessoal, descartável?Essencial.

Na dúvida entre dois, fica no mais alto.


Gatilhos — características que sobem o rigor sozinhas

Independentemente do nível geral, a presença destas características torna o bloco de regras correspondente obrigatório — em qualquer nível, inclusive Essencial:

Se o projeto tem… …então é obrigatório
Vários clientes no mesmo sistema (multi-cliente) Proteção de acesso por linha e o teste real de separação de clientes (testes §8) — não só num nível, sempre que houver multi-cliente
Recebe dinheiro / cobra Teste de integração no caminho do dinheiro; aviso externo tratado sem repetir efeito
Dado pessoal sensível As regras de conformidade legal (manual próprio — próxima fase)
Inteligência artificial no produto As regras de arquitetura de IA, incluindo avaliação da saída — ver arquitetura de IA
Recebe arquivo enviado pelo usuário Validação de formato e tamanho e varredura antes de aceitar o arquivo
Expõe porta de entrada a terceiros (pública ou como fornecedor) Versão na porta de entrada, limite de uso e chave que pode ser revogada

O gatilho só eleva, nunca rebaixa. Um projeto Essencial que passa a separar clientes herda, naquele ponto, o rigor de quem separa clientes — incluindo o teste real.


A matriz — o que cada nível acrescenta, por tema

Cada célula nomeia o incremento e aponta pro manual onde a regra mora por extenso. O que não aparece numa coluna já veio da anterior (acumulativo). Itens marcados (próxima fase) existem em espírito mas ainda vão ganhar texto próprio no manual — ver "O que ainda entra".

Tema Essencial Produto (+ ) Crítico (+ )
Qualidade de código Piso de qualidade — ver "O piso que nunca escala" e código §2 (igual — é piso) (igual — é piso)
Estrutura de pastas Estrutura-raiz padrão por tipo (código §3) (igual) (igual)
Testes Lógica nova nasce com teste; camadas rápida + regra de negócio; catraca de cobertura (testes §1, §5, §6) Integração e ponta a ponta no caminho de ouro (testes §5) Alvo de maturidade mais alto nas camadas de dinheiro e acesso (testes §6); teste de acordo entre partes (próxima fase)
Banco de dados Fundação de banco (código §7) Proteção de acesso por linha quando há login/dado de cliente Auditoria central imutável
Segurança Piso de segurança — ver "O piso que nunca escala" e código §8 Autorização verificada por rota; varredura de segredo no acervo; erro que não vaza detalhe interno Checklist das falhas mais comuns; varredura de dependência; resposta formal a vulnerabilidade (próxima fase)
Frontend Busca de dados padronizada; estados de tela (carregando/erro/vazio) (código §5) Formulário validado na entrada; proteção de rota; navegação por histórico; paginação Acessibilidade auditada (design §6). Onde o produto depende de velocidade ou de descoberta orgânica: orçamento de desempenho e busca para mecanismos
Backend Camadas separadas (acesso a dados longe da regra de negócio); erro tratado, nunca engolido (código §6) Versão na porta de entrada da API; limite de uso por cliente; operação multi-passo é tudo-ou-nada Verificação de saúde. Onde há processamento assíncrono ou aviso externo: tratar sem repetir efeito e fila com reprocesso (próxima fase)
Design Fundação visual: tokens (sem cor crua), escala de espaçamento, estados visuais, contraste mínimo (design §2–6) Biblioteca de componentes compartilhada; movimento; microcopy; feedback padronizado Acessibilidade auditada na norma nova (design §6)
Publicar e enxergar no ar Publica com segredo fora do código (código §8) Ambiente de teste antes da produção; erro capturado em ferramenta própria; conferência automática após publicar; volta rápida (próxima fase) Alerta por limite (erro, lentidão, custo); painel de saúde; rastreamento de ponta a ponta (próxima fase)
Inteligência artificial — (não se aplica a projetos sem IA) Instrução versionada, camada isolada, avaliação da saída, resiliência, segurança de IA, privacidade — ver arquitetura de IA (todo projeto com IA sobe para Crítico automaticamente)

Sobre cobertura de teste (esclarecimento, não regra nova): a trava real do dia a dia é a catraca — a cobertura parte de onde o projeto está e só sobe, nunca desce, em qualquer nível. O número de maturidade (80% no geral, 90%+ nas camadas críticas) é alvo aspiracional, medido na avaliação do projeto, não uma trava que bloqueia projeto novo. O nível sobe quais camadas de teste são obrigatórias e o alvo de maturidade — não transforma o alvo em trava. Fonte: testes §6.


O piso que nunca escala para baixo

Isto vale em qualquer projeto, inclusive no protótipo — não depende de nível, não se negocia:

  • Segredo e chave fora do código.
  • Toda entrada externa validada antes de usar (formulário, chamada de API, arquivo recebido, aviso de outro sistema).
  • Tipagem estrita, zero any.
  • Tolerância zero a erro e aviso pendente.
  • Toda lógica nova nasce com teste.
  • Código e nomes em inglês.

Um projeto pode ser pequeno; não pode ser inseguro nem mentir que está pronto.


O que ainda entra nesta matriz (próximas fases)

Esta é a fundação. Conforme os manuais novos e os pontos soltos nascerem, a matriz ganha linhas e as marcas (próxima fase) viram ponteiro real:

  • Conformidade legal — tema próprio quando o manual de conformidade nascer; entra como gatilho para qualquer projeto com dado pessoal.
  • Pontos soltos — teste de acordo entre partes, teste que verifica os próprios testes, tratamento de aviso externo sem repetir efeito, enxergar o sistema no ar (erro capturado, alerta, conferência pós-publicação, rastreamento), e — onde fizer sentido — documentação automática da porta de entrada e comparação de tela por imagem. Cada um ganha texto no manual certo e a matriz passa a apontar para ele.

Fronteiras deste arquivo: as regras moram nos manuais (código, testes, design). Aqui mora só a graduação — quanto de cada uma é obrigatório em cada projeto. Mudou uma regra? Muda no manual dela. Mudou quando ela pega? Muda aqui.